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Sistema


A cápsula arrastava a sua lataria, chacoalhava mentes trincadas que viam o abate pelos vidros e todo sonho que se passa e passa.

Relógio


À sombra da torre e seu símbolo, os ponteiros seguiam lembrando a coisa vã cronológica até a prometida eternidade.

Urbanos


Pela cidade que impregnou o amargor nos corpos apressados com suas urgências.

Linhas


Sombreia a Praça Sete, projeta suas curvas no coração de Belo Horizonte. Entre as avenidas Afonso Pena e Amazonas, ergue-se a lembrança edificada das montanhas do arraial feito capital das Gerais.

Roteiro


Era voluntária a busca que não acaba, um desejo transformado em outro, a vontade nunca satisfeita por aquilo que nem se sabe mais o que é. 

"Out There" | Paul McCartney nas Minas Gerais


O mito subiu ao palco montado no Mineirão para provocar catarse em mais de 50 mil pessoas. Sir McCartney, pequenino, envolvido por uma multidão sem fim, era o gigante pelo símbolo que é, por tudo que representa no curso da história.

Detalhes e vídeos do show no Blog do Frederico Jota

Show do Somba



Impregnadas de som, pela atmosfera que os meios técnicos dão a perceber, a forma e a luz eram o rastro da arte de quem faz música soar como música.


Música para imagens em movimento



Arnaldo Baptista improvisa ao piano trilha sonora para o filme “Viagem à Lua” (1902), de Georges Méliès.

Quase noite


A cortina da noite encobria os últimos respingos da luz do dia. Na paisagem infinita que se alinha ao horizonte, prosperam impressões que o manto do crepúsculo insinua sem revelar.

Cidade de Minas


Leveza neoclássica adornada pela ordem e pelo progresso, quando o bico de pena dos gabinetes hoje fossilizados ditavam os mandos e as benesses.

Volúpia


Lá embaixo, onde as luzinhas ficam emaranhadas com o chuvisco refletido no asfalto, eles se ocupam de um frenético ritual de ir e vir. Vão se devorar noite adentro. 

Edifício Maletta

Ao longo do crepúsculo, faces e perspectivas do Edifício Maletta, Centro Cultural Belo Horizonte e adjacências. Vista: cortesia de Divino Advíncula. Fotos Ricardo LAF




Observadores



E Nava queria chamar a atenção de Drummond para o trio com o olhar mirado fixo no infinito, que esperava pacientemente o movimento de sua própria história.

Praça da Liberdade: sequência


Depois de se refrescar do calor dos trópicos, a estátua tocou uma canção para o bem-te-vi e cedeu a fonte de água para ele namorar sob sua proteção.








Simulacros natalinos


Embora as luzes proclamem algo que denominam ser espiritual, a realidade mesma das coisas não se ampara nesta luminescência eletrificada.

Somba: o retorno



Numa segunda-feira típica, pouco antes das 22 horas, o Somba subiu uma vez mais aos palcos daqui do Arraial. Um retorno esperado, maturado e especulado por longos e intermináveis dois anos. Uns 60 sortudos tiveram o privilégio de conhecer o “recheio da bolacha” do novíssimo e não oficialmente lançado álbum “Cuma?”.


O quarteto apresentou a versão beta do que virá ser o lançamento de “Cuma?”. Com uma complexa e enigmática parafernália tecnológica e um profundo senso de experimentalismo, o Somba deu forma a 13 canções que fundem os territórios do erudito e do popular, que celebram com humor e sem afetação o retorno do promissor laboratório sonoro iniciado anos antes, ao fim do último século. A atmosfera é francamente psicodélica.

Estilo? Ao modo da tradição sômbica, a banda se apropriou dos mais variados ritmos e modalidades musicais e concebeu um conjunto de canções muito particulares entre si. Ainda mais experimental do que “Clube da Esquina dos Aflitos”, “Cuma?” vem de um Somba motivado não apenas pelo experimento das sonoridades, mas pela experimentação estética na amplitude do termo, do estudo das possibilidades técnicas da mediação do analógico pelo digital, do turbilhão sensorial que é fazer música para que ela soe como magia.

Perversões dionisíacas - teatro provincial

"A vida é mesmo um teatro,
mas o elenco foi mal escolhido".

Oscar Wilde

Emergem da penumbra das manhãs úmidas os hálitos desta cidade que morosamente insinua funcionar. Sob esse céu de horizonte belo, cada marca intransferível e particular se dilui na generalidade da multidão dos rostos sem face. Que diabo é essa sina diária do ir e vir e voltar para onde veio? Quem são os personagens dessa trama cotidiana que se anuncia sob a batuta desse preguiçoso despertar?

Cá entre as montanhas cada anônimo tem a identificação que lhe cabe, o papel que lhe foi conferido, o estigma característico daquilo que deverá teatralizar com desenvoltura. Todavia, a representação requer um verniz de autenticidade, algo que a torne verdadeira ao menos na sua superfície. No automatismo reiterável do abrir e fechar das cortinas, o espetáculo do parecer ser se justifica pela nobre finalidade indiscutível da performance. É preciso demonstrar competência para estar em cena, saber atribuir a si mesmo poderes especiais, fazê-los emanar pelo cenário com os outros atores.

Todos os dias, a repetição se desdobra à maneira de um ritual. Aquele que se atreve a macular o ordenamento dessa peça diariamente representada carrega o rótulo dos insanos, a cicatriz que nunca se fecha, a condição de não pertencimento ao roteiro forjado para celebrar a farsa.