Amava os tempos ásperos intercalados com goles de areia.
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Situação cadastral
O cadastro demanda o registro de outro cadastro que o comprove, um dublê. A amostragem da vida encontra a ciranda do status de serviço.
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Temperaturas (II)
Em estado febril, enfeitiçado por uma suave letargia e pelas impressões desse filtro biológico de mucos e calafrios. Não havia antitérmico que bastasse.
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Colorido
A história era sobre cores e o momento cândido de sua aparição. O homem da TV teimou em dizer que faria calor ou frio, chuva ou sol, quem sabe um regime de ventos, rajadas e tempestades. Desconfiada da profecia que vinha da tela, com o sonho corrompido, a garotinha perguntou ao pai porque nunca preveem o arco-íris.
Dedicado a Marcelo Martins e sua filha Catarina
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A Cidade dos Sonhos*
Revertério institucional, escancarado, quando todo mundo se fez mídia com suas palavras, imagens, ações e sentidos ruidosos.
*título sugerido por Carlos Avelin em menção à foto
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"Out There" | Paul McCartney nas Minas Gerais
O mito subiu ao palco montado no Mineirão para provocar catarse em mais de 50 mil pessoas. Sir McCartney, pequenino, envolvido por uma multidão sem fim, era o gigante pelo símbolo que é, por tudo que representa no curso da história.
Detalhes e vídeos do show no Blog do Frederico Jota Tweetar
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Liberal(ismo)
Era uma linha de produção de calçados infantis. Com o talento dos adultos, logo veio o resto arruinado de uma história contada entre os retalhos e o silêncio das máquinas.
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Pragmatismo
Acreditava ser possível definir escolhas por meio de esquadros. A praticidade das réguas gestava um lugar onde tudo cabe, do modo como se quer. Ensimesmado, esse mundo padrão mantém a fachada de sua integridade com a ignorância sobre as outras ferramentas dos outros mundos.
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Show do Somba

Impregnadas de som, pela atmosfera que os meios técnicos dão a perceber, a forma e a luz eram o rastro da arte de quem faz música soar como música.
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Sobre trilhos
Restava seguir conforme as
cutucadas das impressões. Era o caso de admitir a imersão na contraditória
realidade dos ditos, dos feitos e dos acontecidos. Adiante, ao fim da linha, lá
estava o nada presente e figurado.
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Tropeiro das Gerais
Por Rodrigo Andrade
Um bom amigo me encomendou um texto sobre um prato mineiro. Com sua mineira educação não estipulou prazos ou receitas, mas desde que aceitei honrado a tarefa, o tema passeia na minha cabeça. De cara disse: Feijão Tropeiro!
Um bom amigo me encomendou um texto sobre um prato mineiro. Com sua mineira educação não estipulou prazos ou receitas, mas desde que aceitei honrado a tarefa, o tema passeia na minha cabeça. De cara disse: Feijão Tropeiro!
Queria um prato que eu adorasse já que em culinária só me inspiro a
escrever do que gosto (tudo bem, quase tudo). Queria também um
prato síntese de nossa cozinha, que remetesse à roça e cidade, ao
antigo e contemporâneo, ou melhor, à "atemporalidade" da
culinária-cultura-filosofia-se ntimento mineiros.
Nosso prato-homenagem começa pelo próprio desenhar de nosso estado,
tropeiro, matula de desbravadores, comida de resistência na riqueza de
calorias e nutrientes, seco para ser comido a qualquer hora-lugar e "de
capitão" (aos montinhos/bolinhos com a mão, de arremesso). Claro que
isso é origem (às vezes revivida) e hoje nosso astro frequenta de
marmitex a porcelanas.
Tudo começa com o óleo na panela (ou banha
para os privilegiados) dourando e fazendo cantar cebola e alho. Afinal,
alguma comida de sal mineira começa de outra forma?
Sua base, o feijão, marrom, nos leva às roças no fundo das casas de fazenda, subsistência e renda, que continua em nosso dia a dia de cidade grande mesmo com os buffets de suflês, terrines e tantas inventices importadas.
A farinha, de mandioca, o pão brasileiro. Partícipe de todas as
culinárias brasis e sendo um acompanha tudo: de peixe a charque, da
entrada à sobremesa, do bolo doce ao churrasco. E na nossa casa, do
tutu, do pirão do surubim do São Francisco, da paçoca de carne, no prato
de todo nortista, acompanhando qualquer coisa.
O porco oferece o
bacon, a lingüiça e o torresmo. Quando não, também no lombo, convidado
frequente do Tropeiro. A proteína mineira, de tempos em que gigolávamos
mais o leite que a carne da vaca.
O ovo! Mais quintal, impossível.
Cozido e em fatias, caprichosamente compondo o prato, ou em cubos no
resto da confusão. Oferece um pouco mais de proteína e gordura, já que
comida mineira é de sustância.
A cebolinha, enfeite só que nada!
Nos lembra que temos horta e o verde tem que participar, até para cortar
a maldade do resto...
E a couve que não é tropeiro, mas como goiabada e queijo, sempre juntos, mineiramente, sem se ofuscarem, complementando-se.
E, claro, a cachaça! Acompanhamento chama-fome do nosso prato. O forte
álcool pedindo gordura ao paladar, lembrando-nos cana e madeira.
Quer coisa mais mineira que reunião? E o Tropeiro é isso, um pouco do
tudo que temos de bom, misturado (como a gente). Em casa, no boteco, no
restaurante, na feira, no Mineirão (que saudade).
Como as Minas
Gerais, síntese do norte-sul-leste-oeste brasileiros, o feijão tropeiro
é nossa cozinha. No fogão a lenha, a gás ou industrial. Na roça do alto
da montanha, à beira da represa ou na cidade.
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Música para imagens em movimento
Arnaldo Baptista improvisa ao piano trilha sonora para o filme “Viagem à Lua” (1902), de Georges Méliès.
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Quase noite
A cortina da noite encobria os últimos respingos da luz do dia. Na paisagem infinita que se alinha ao horizonte, prosperam impressões que o manto do crepúsculo insinua sem revelar.
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Monocromático
Certa vez havia um caminho com tons de cinza, sem os sinais das cores e a sua sensação festiva. No fim do trajeto era possível andar sobre os retalhos que sobraram da realidade e que nunca mais iriam se parecer com ela.
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Temperaturas
Na companhia do silêncio invernal do cerrado, sob a radiação dos raios dourados que esquentam os espasmos que percorrem o corpo, sua quase presença na cena muda muda tudo.
Arquivos Imperfeitos*
No interior das memórias digitais, onde a percepção se encontra com os bits, espreita a forma do que antes era de fato forma, existe uma realidade que está fora do alcance da propriedade analógica do olhar.
*"Arquivos Imperfeitos" é o título de um livro de Fausto Colombo Tweetar
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Cidade de Minas
Leveza neoclássica adornada pela ordem e pelo progresso, quando o bico de pena dos gabinetes hoje fossilizados ditavam os mandos e as benesses.
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Arara Vermelha
É a exuberância das cores em um pássaro tipicamente brasileiro e que está em extinção. Percorrem os céus em duplas, são monogâmicas. É difícil crer que elas perdem a liberdade para fazer parte de mostruário ou de excentricidades bem distantes de sua terra natal e natural.
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Ricardo Laf
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Ficção
Eram doces palavras, nos seus acentos e conotações. O espectro sonoro, o papel em branco ou a tela que exibe o verossímel atendem às maiores artes da representação. Parecia tudo bonito.
Dicionário Brasileiro de Insultos é da Ateliê Editorial Tweetar
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Ricardo Laf
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Voo
Suspenso pelo ar e pelo tempo do disparo, sobrevoava nas alturas, sobre contornos traçados por montanhas, trilhas e picadas, embrenhado na insolação tropical espalhada pelos vários cantos das Minas.
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Locomotiva do asfalto
Escalou a montanha de aço abandonada às intempéries, e sobre a máquina constrangida, pouco à vontade como uma estátua hospedada fora dos trilhos, a tentação era dar a partida e levá-la de volta para a ferrovia.
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Depois da chuva
Troços e vidas se agrupam em uma nova conformação depois da tempestade, até que os pingos e a correnteza façam repetir e reiterar esses habitats provisórios.
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No trem
Na velocidade dos trilhos, em uma desajeitada tentativa de parar, em movimento, o movimento do mundo.
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Lembrança

Diziam que seria em breve demolido e de fato jogaram-no ao chão logo que a papelada com todos os carimbos autorizou a operação de extinguir a memória.
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Volúpia
Lá embaixo, onde as luzinhas ficam emaranhadas com o chuvisco refletido no asfalto, eles se ocupam de um frenético ritual de ir e vir. Vão se devorar noite adentro.
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Dupla
Admitiam suas diferenças e concordavam que eram a matriz de muitas coisas que apareceram a seguir.
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Portal
A seta quer indicar um caminho à direita, mas o personagem em questão encontra uma portinha, uma fresta na própria placa para seguir sabe-se lá para onde.
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Ruídos
Descompasso entre o potencial de se comunicar e a comunicação que realmente acontece. Da Pencilmation
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Recepção
Show do Echo & the Bunnymen em BH. Casa com 1/3 de ocupação. No Arraial do Curral Del Rey as atrações que atravessam o Atlântico e não estão sob o regime de exaustiva exposição midiática vão encontrar esse público. Dava para matutar, nos instantes dos primeiros acordes, sobre o que Ian McCulloch sentia ao estar diante dos poucos que passaram quase duas horas com as sonoridades dos homens coelho.
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Incidental

Depois dos erros na medição da luz e demais combinações desastrosas, o sensor da câmera tenta resolver o imprevisível do jeito que dá. Sobra esse arco-íris binário, rastro cromático daquilo que é mais elementar no registro em cores.
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Reflexão

Enquanto os adultos se esparramavam como calangos inertes e falantes para receberem os raios do solzinho que se despedia atrás da serra, JP optou por se refugiar entre as sombras do lusco-fusco. Queria preservar os pensamentos de qualquer interferência dos diálogos que insistiam em reverberar em uma noite cada vez mais silenciosa.
Caminhos

Zona rural do município de Lagoa Santa, em Minas Gerais, Brasil. Quatro quilômetros do Rio das Velhas, nas proximidades das áreas exploradas pelo cientista dinamarquês Peter Wilhelm Lund, que no século XIX catalogou cento e vinte espécies de fósseis e fez da região um valioso sítio para a paleontologia.
Os caminhos empreendidos por Lund se cruzam e são muitas vezes coincidentes com os territórios percorridos e experimentados pela poesia sonho fantasia de Guimarães Rosa.
Lagoa Santa, Minas Gerais, Brasil - Fotos
Os caminhos empreendidos por Lund se cruzam e são muitas vezes coincidentes com os territórios percorridos e experimentados pela poesia sonho fantasia de Guimarães Rosa.
Lagoa Santa, Minas Gerais, Brasil - Fotos
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Contatos

Numa tarde de inverno, com a luz de céu azul que deixa sua qualidade nas coisas, o melhor era brincar de correr entre as antenas que fazem os vivos se comunicarem com os seres terrenos e com o além mundo.
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Nossa Senhora do Rosário
Simulação
“Ao contemplar uma pintura, há um momento em que perdemos a consciência do fato de que ela não é a coisa. A distinção do real e da cópia desaparece e por alguns momentos é puro sonho; não é qualquer existência particular e ainda não é existência geral". C.S.Peirce.

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Edifício Maletta
Ao longo do crepúsculo, faces e perspectivas do Edifício Maletta, Centro Cultural Belo Horizonte e adjacências. Vista: cortesia de Divino Advíncula. Fotos Ricardo LAF



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Ricardo Laf
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